Poema da Contramão
Hoje acordei com vontade de cortar os pulsos.
Minuto de desejo ou de loucura, não passou de um impulso.
Nesses momentos que a gente quer mais é dizer adeus.
Já se cansou a muito de esperar e de pedir a Deus.
Acaba esquecendo que o futuro está em nossas mãos.
Mas é mais fácil deixar a culpa cair sobre os irmãos.
E vim pelas ruas pensando “Por que não?”.
Era só atrapalhar o tráfego e morrer na contramão.
Quando a chuva a alma castiga.
A gente lembra que a dor é antiga.
Tão velha quanto a (des)ilusão.
De que sempre existe uma próxima estação.
Obs.: O poema é autobiográfico, mas só de vez em quando, naquelas quartas-feiras cinzas.
Acontece que melancolia é uma coisa tão bonita, né. Quando eu comecei a escrever, lá nos idos da escola, meus textos eram todos assim, meio barra-pesada. Lembro uma vez que fiz um texto numa prova de português na segunda série, nem recordo o tema, só sei que veio a anotação da professora dizendo que o texto era melancólico. Como é que explica pra uma criança de 8 anos o que diabos quer dizer melancólico?? Eu não entendi nada e acabei ficando na dúvida se era um elogio ou uma crítica. Na verdade, até hoje eu não sei. O aurélio não ajuda muito, olha só uma das definições: 4.Psiq. Distúrbio mental caracterizado por depressão em grau variável, sensação de incapacidade, perda de interesse pela vida, podendo evoluir para ansiedade, insônia, tendência ao suicídio e, eventualmente, delírio de auto-acusação. Eu prefiro mais esssa definição aqui: 2.Estado de languidez e tristeza indefinida. Até porque eu adoro a palavra languidez ;).
